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O Cigarro e o Pulmão - Parte I  

Você sabia que a nicotina é um veneno utilizado em inseticidas?!

CigarroO fumo é constituido por mais de 4.000 substâncias, muitas das quais reconhecidamente cancerígenas e potencialmente fatais. A dose letal de nicotina para o adulto, por exemplo, é o conteúdo de apenas dois cigarros. Mas ao ser fumada, sua maior parte é queimada e, devido a isso, a nicotina não mata assim tão rapidamente... Mas mata!

Na verdade a medicina não precisa mais gastar esforços para estudar os malefícios causados pelo cigarro, pois esta relação nociva que o tabagismo sustenta com o corpo humano está mais do que comprovada e continua sendo constatada diariamente através das inúmeras mortes relacionadas a este vício. É por isso que alguns médicos e estudiosos consideram o cigarro como o problema número um de saúde pública mundial...

Isto não se aplica somente à própria pessoa que fuma, mas também aos fumantes passivos (pessoas que não fumam mas estão continuamente expostas à fumaça do cigarro de seus familiares e/ou colegas de trabalho), pelo maior risco de adquirir doenças e tumores malignos. Além da irritação nos olhos e na garganta, para alguns tipos de câncer este risco é de até 8 vezes maior do que nos não fumantes! Outro exemplo de fumante passivo é o feto da mulher grávida que fuma: existe um risco comprovadamente maior da criança nascer prematura, de baixo peso, com malformações congênitas e de apresentar maior índice de doenças respiratórias, pois a nicotina atravessa livremente a placenta. Mulheres fumantes estão mais sujeitas à placenta prévia, descolamento prematuro, abortos e câncer do colo uterino. Tudo isto significa maior taxa de mortalidade neonatal e maior número de complicações durante a infância.

Como e por que o cigarro provoca tanto estrago ?

O ato de inalar a fumaça do cigarro representa uma via de acesso ao interior do nosso corpo que, sem exageros, é tanto ou mais perigosa que uma injeção na veia! Isto acontece porque as substâncias entram nos alvéolos dos pulmões e logo passam para o sangue, disseminando-se por todo o organismo.

A poluição causada pelo cigarro é rica em monóxido de carbono e outros produtos. Isto faz com que o ar inalado pelo fumante (ativo ou passivo) tenha a sua concentração de oxigênio reduzida pela metade. Sendo assim, durante os poucos segundos que a fumaça está entrando, não ocorrerá a adequada oxigenação do sangue venoso que chega aos pulmões. O sangue arterial que circulará pelo corpo, portanto, estará pobre em oxigênio. Imagine quantas vezes isto acontece na vida do fumante a cada tragada, a cada cigarro, a cada maço, a cada dia, a cada ano... Com certeza não será pouco o tempo em que os seus órgãos e tecidos deixaram de receber este ingrediente fundamental para o bom funcionamento de suas funções. Não é difícil entender, portanto, que as células submetidas a esta repetida falta de oxigênio acabem ficando doentes e, não raramente, começam a se multiplicar de forma desordenada dando origem ao câncer.

Outros efeitos do cigarro sobre o pulmão são a broncoconstrição (reduz o diâmetro dos pequenos brônquios por onde passa o ar) e a redução do leito capilar pulmonar (o que diminui a circulação de sangue pelos alvéolos). Além disso leva à produção excessiva de muco (catarro) enquanto ao mesmo tempo diminui o batimento dos cílios que revestem a mucosa brônquica, cílios estes paradoxalmente responsáveis pela eliminação do muco. Existe um dano às células que fabricam substâncias tensoativas, indispensáveis para evitar o colapso dos alvéolos que, assim, acabam ficando mais fechados do que abertos. Estas e outras alterações provocam no fumante um estímulo para a autodestruição do pulmão e o enfraquecimento de sua estrutura, formando gradativamente áreas enfisematosas.

O tabagismo tem tratamento, o qual se baseia em remédios, acompanhamento psicológico e reeducação dos hábitos. Procure um especialista! E vale a pena parar - antes tarde do que nunca! Os que continuam fumando após um infarto do miocárdio correm um risco maior de morrer do que os que aboliram o cigarro! Deixando de fumar por 24 horas, a intoxicação do sangue pelo monóxido de carbono diminui e a sua oxigenação atinge níveis próximos ao normal. Exames que avaliam a função pulmonar são capazes de detectar melhora significativa do "fôlego" após cerca de 15 dias sem fumar. Doenças progressivas como o enfisema (o qual mata por asfixia, isto é, a pessoa literalmente morre de falta de ar) diminuem sua velocidade de piora clínica e podem até estacionar. Quanto ao risco do aparecimento de câncer, os efeitos do cigarro ainda permanecem por muitos anos - ao procurar ajuda médica, porém, acaba acontecendo uma busca ativa de indícios de malignidade e através de um programa de vigilância é possível surpreender tumores em fases mais precoces, possibilitando assim uma melhor oportunidade de cura completa.

Veja mais em: O Cigarro e o pulmão - Parte II

Dr. Ricardo H. Bammann
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